Poema: “Soneto de Celebração ao Shakespeare”

Poema: “Soneto de Celebração ao Shakespeare”

(Autor: Kênio Barros de Ávila Nascimento)

Soneto de
Celebração ao Shakespeare

Frutífera vida teve o poeta,
Das ilhas saxônicas e terras,
Que da alma exaltou belezas,
Misérias capturou a mais abjeta.

Sanguinárias peças sobre realezas
Pretendia espelhar, em grande parte,
Ambição vã, que a Deus punha à parte,
De homens e mulheres em todas as Eras.

Em seu ápice, ele fez chorar e rir
Públicos nos teatros de sua Globo.
Amor festejava mesmo ao ferir

Personas sejam boa, má ou lobo.
Depois da morte, arte vive a exibir
Fólios seus espalhados por todo globo.

Poema: “I woke up a hundred thousand years”

(By Kenio Barros de Avila Nascimento)

**

I woke up a hundred thousand years in the future,

When an Et snatched me to sleep

And after a glimpse I saw everything

When I wake up to tell you

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In the future it was all so cool,

No one died and no one cried,

They were all smiles and beautiful,

But far from Earth.

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Nothing on the planet except

Cold rocks as in comets

Humanity lived in another galaxy,

Cultivating space drugs.

**

If nobody died, I thought

Happy would they be;

Alien warned me that in them

There was no more love,

**

Terrified, I was then a poet

Without love nothing would interest me,

To which my alien spoke:

Humans lost without solution,

**

Out of fear of death, immortals would remain,

Prolonging life to infinity,

For fear of sadness, drugs would cultivate

On the planets of your possession

**

In glimpsing this horror, future,

I returned from my astral ride,

To tell mankind:

That could lose your heart

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And again, I went back to advise:

Live as if there was no death,

After all, your soul is even immortal …

And, please, save the love, for the courage to die!

POEMA : “POETA EM DEFESA DO OLAVO DE CARVALHO”

(by Kênio Barros de Ávila Nascimento)

Dizia poeta Vinicius que o whisky seria
O nosso cachorro bem engarrafado,
Digo o mesmo da filosofia do Olavo:
Sabedoria e conhecimento entijolado.

Dar tijolada na onipresente burrice
É trabalho de Sísifo, árduo e enfadonho,
Mas Olavo o faz com ar de graça e expertise
E com mui destemor e sem pegar no sono.

Desafetos levam diárias bofetadas
A serem curados da própria trapalhada
Exposta online em enormes redes afetadas.

A imprensa se faz de sonsa todo o verão
Escondendo o filósofo ao custo de nossa risada,
Ao invés dela admitir: Olavo tem razão!

Se Vinicius de Morais em órbita terrestre
Viesse à vida, veria de lá destruição
Que a esquerda fez na nação
E acabaria por se tornar um olavette.

E unido em espírito ao Olavo
Formariam uma dupla do caralho:
Um poeta e um filósofo no combate
Contra o rasteiro fim da liberdade

Talvez o poeta esteja do Céu a ver
A trapalhada que nos metemos
Ao darmos à pelegada o poder.

Pois hoje nova garota de Ipanema,
Com balas zunindo entre testas e morros,
Não vai em paz sequer ao cinema.

Poema: “Sonnet of Celebration to Shakespeare”

Sonnet of Celebration to Shakespeare (by Kênio B. de Ávila Nascimento)

*

Fruitful life had the poet

From the Saxon islands, lands,

Who of the soul exalted beauties,

Miseries captured the most abject.

*

Bloody plays about royalties

He intended to mirror, in part,

Vain ambition that God put apart,

Of men and women in all Ages.

*

At its apex, he made cry and laugh

Audiences on theaters of his Globo.

Love celebrated even it kills a lot

*

Characters indeed good, bad or snob,

Plays his art live after his death,

Folios spread now all over the globe.

Poema: “Ode à Fazenda”

Ode à Fazenda

I

Se sensível fosse, talvez olhasse à natureza e me admirasse da levitação de um beija-flor, de uma vaca desgarrada a pastar, ou mesmo rastros de onças, que sempre hei de encontrar.

II

Se sensível fosse, olharia ao céu diurno e não mais desviaria o olhar das nuvens, principalmente quando passam baixo e lépidas, ou circulando, e quando rajadas de vento as aproximam.

III

Se sensível fosse, veria noturno céu e ficaria paralisado, a pensar nas civilizações extramundo que se foram e virão, vez que cada brilho, sendo estrela ou galáxia, tenha seus planetários sistemas.

IV

Se sensível fosse, ficaria perturbado com as descargas elétricas, relâmpagos entre nuvens, que espirram de tempestades, que sempre hei de encontrar.

V

Ah, e o riacho? Se sensível fosse, não sairia do beira-rio a ver águas escoarem, principalmente com as chuvas torrenciais a enchê-lo, e claro, ficaria vendo peixes esquisitos e coloridos.

VI

Se sensível fosse, de verdade, comeria pão de queijo todo dia, que veio do queijo fabricado em artesanal modo, advindo de uma cabra ou de vaquinha.

VII

Se sensível fosse, amaria os periquitos, bem como amaria até os morcegos que na mais breve oportunidade entram à noite pelas janelas.

   VIII

Agora, só se sensível fosse, desligaria à noite a luz elétrica, e espalharia umas poucas velas pela casa, e dormiria quando o sol sumisse.

IX

Aí eu acordaria noutro dia bem cedo, e se inverno fosse, acenderia o fogão à lenha, e o dia inteiro ouviria dos fantasmas os seus causos de vida e morte.

X

Se sensível fosse, cada tatu ou mesmo tamanduá, ou outro animal, incluindo os passarinhos, seriam recebidos sem balas e não iriam à panela.

   XI

Mas não sou sensível. Sou brucutu. Faria sem dó guisado da onça e estrogonofe do tamanduá. Até São Francisco de Assis de mim fugiria, e Santo Tomás de Aquino de bronco me chamaria, e para longe levitaria Santa Teresa de Ávila…

     FIM

Autor do poema:  Kenio Barros de A. Nascimento (vulgo: Kênio de Ávila), em Araxá, 24 e 25/10/2018.

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